Cinamomo (Melia azedarach) é tóxico? Para que serve, benefícios medicinais e espirituais

Árvore de cinamomo em flor com folhas verdes e flores lilases, em quintal ao ar livre

Cinamomo é tóxico? Para que serve, como usar com segurança e quais são seus poderes ocultos

O cinamomo, conhecido cientificamente como Melia azedarach, é uma árvore exótica que fascina por sua beleza e utilidade. Muito além da ornamentação, ele possui propriedades medicinais, atua no controle de pragas, tem importância simbólica na fé popular e usos tradicionais que passam de geração em geração.

Mas afinal, para que serve o cinamomo? O chá das folhas é seguro? Como ele age contra pragas?
Neste artigo, reunimos respostas com base em pesquisas científicas, medicina popular e saberes tradicionais para que você conheça todos os benefícios e riscos dessa árvore também chamada de árvore de Santa Bárbara.

O que é o cinamomo (Melia azedarach)?

O Melia azedarach L. é uma árvore da família Meliaceae, nativa da Ásia (Índia, China, Indonésia) e introduzida no Brasil para sombreamento urbano e fins ornamentais. Pode alcançar de 10 a 15 metros de altura, possui folhas compostas, flores lilases perfumadas e frutos esféricos amarelos bastante persistentes.

É frequentemente confundido com o nim (Azadirachta indica), mas são espécies diferentes com propriedades semelhantes.

Close das flores lilases do cinamomo com pétalas finas e delicadas
As flores do cinamomo exalam perfume suave e atraem abelhas e polinizadores.

Para que serve o cinamomo?

A árvore tem usos medicinais, agrícolas, ornamentais e espirituais, como:

  • Fitoterápico tradicional: combate de vermes e doenças de pele
  • Inseticida natural: substitui agrotóxicos no controle de pragas
  • Uso espiritual e religioso: árvore de proteção
  • Madeira e paisagismo: usada em carpintaria leve e arborização urbana
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Estudos científicos mostram que extratos da planta possuem atividade antibacteriana, antifúngica, larvicida e repelente.

Para que serve o cinamomo na Bíblia?

Apesar do nome “cinamomo” aparecer na Bíblia (Êxodo 30:23), ele provavelmente se refere à canela (Cinnamomum verum). No entanto, por tradição popular e sincretismo religioso, o Melia azedarach passou a ser conhecido no Brasil como árvore de Santa Bárbara — símbolo de proteção contra raios e energias negativas, especialmente em práticas afro-brasileiras ligadas a Iansã.

🌿 Curiosidade: Em quintais do interior, plantar um cinamomo era visto como invocar proteção espiritual para a casa.

Para que serve o chá da folha do cinamomo?

O chá das folhas do cinamomo é usado na medicina popular, principalmente de forma tópica ou como banho medicinal. Entre os usos mais relatados:

  • Eliminação de parasitas intestinais
  • Tratamento de micoses, piolhos e sarna
  • Redução de inflamações cutâneas
  • Banhos contra mau-olhado e perturbações energéticas

⚠️ Atenção: As folhas e frutos contêm triterpenos neurotóxicos como a meliatoxina, podendo causar vômitos, diarreias, convulsões e até óbito em altas doses. Portanto, o uso interno não é recomendado sem orientação especializada.

📚 Referência científica: Segundo estudo publicado no Journal of Ethnopharmacology (2005), a toxicidade do extrato aquoso da folha de Melia azedarach foi observada em testes com camundongos, com efeitos adversos significativos em altas concentrações.

Quais são os benefícios comprovados do cinamomo?

Pesquisas acadêmicas identificam compostos bioativos nas folhas, sementes e casca da árvore, como:

  • Limonoides (meliantrol, azedarachina): ação inseticida e antifúngica
  • Flavonoides: antioxidantes
  • Taninos e saponinas: ação adstringente e antimicrobiana

Benefícios com respaldo científico:

BenefícioEvidência científica
Controle de pragasTestado com sucesso contra o mosquito da dengue (Aedes aegypti)
AntibacterianoEfeito inibitório contra Staphylococcus aureus
AntifúngicoEficaz contra Candida albicans
Repelente naturalUtilizado em extratos para agricultura orgânica

🧪 Referência: Silva et al. (2021) – Universidade Federal de Pelotas, estudo demonstrou eficácia larvicida de extratos de Melia azedarach sobre larvas de mosquitos vetores.

Quais os usos tradicionais das folhas e sementes?

  • Folhas: banhos de limpeza, tratamento de caspa, compressas
  • Sementes: amassadas para pulverização como repelente natural
  • Casca: usada em infusões externas para problemas de pele
  • Frutos secos: ornamentais e usados em terços artesanais

Em regiões rurais, o cinamomo é usado para desinfetar ambientes, afugentar pulgas e carrapatos, e como “plantas-barreiras” para proteger hortas e galinheiros.

Benefícios do cinamomo no controle de pragas

Você pode usar o cinamomo como aliado ecológico na jardinagem. As propriedades inseticidas são tão eficazes que muitos o chamam de “nim brasileiro”.

Pragas que ele combate:

  • Mosquito da dengue (Aedes aegypti)
  • Lagartas e besouros
  • Formigas
  • Mosca-branca
  • Piolhos e sarna em animais (uso externo!)

Como preparar um repelente natural?

  1. Triture folhas e sementes secas
  2. Macere com água morna
  3. Coe e aplique em plantas e ambientes

O cinamomo é venenoso?

Sim. Todas as partes da planta contêm substâncias tóxicas, especialmente os frutos. A ingestão acidental pode causar:

  • Náuseas
  • Tremores
  • Diarreia
  • Paralisia
  • Convulsões

⚠️ Crianças e animais domésticos são os mais vulneráveis. Evite plantar em locais de acesso livre.

Como cuidar do cinamomo?

🌞 Clima: Tropical ou subtropical
🌱 Solo: Arenoso e bem drenado
💧 Rega: Rústico e resistente à seca
✂️ Poda: Tolerante, mas prefira podas leves
🧤 Manutenção: Coletar os frutos para evitar intoxicações

Na umbanda e no candomblé, o cinamomo é consagrado a Iansã, orixá dos ventos, raios e tempestades, também sincretizada com Santa Bárbara no catolicismo popular.

  • Plantado nos quintais como proteção contra raios
  • Utilizado em rituais de força, coragem e descarrego
  • Suas flores lilases representam a espiritualidade e conexão com o sagrado feminino

Perguntas frequentes

O cinamomo é a mesma coisa que nim?

Não. Apesar de ambos pertencerem à família Meliaceae e terem efeitos semelhantes, o nim indiano é Azadirachta indica e o cinamomo é Melia azedarach.

Posso usar o chá do cinamomo por via oral?

Não é recomendado. A planta é potencialmente tóxica por ingestão. Seu uso é seguro apenas externamente, com orientação especializada.

Posso plantar cinamomo no meu quintal?

Sim, desde que longe do alcance de crianças e pets, pois os frutos são tóxicos. Ele cresce rápido, dá boa sombra e floresce lindamente na primavera.

Conclusão

O cinamomo é uma planta cheia de potencial e histórias. Seus efeitos benéficos no controle de pragas, sua presença espiritual e beleza ornamental o tornam especial. No entanto, o uso consciente e informado é essencial, já que seu potencial tóxico não deve ser ignorado.

Continue explorando os mistérios das plantas com nosso guia sobre as plantas mais poderosas para proteção espiritual.

Referências científicas e acadêmicas

  1. Silva, R. R., et al. (2021).
    Efeito inseticida de extratos de Melia azedarach sobre larvas de Aedes aegypti.
  2. Santos, D. A. & Silva, J. L. (2018).
    Atividade antimicrobiana de extratos de Melia azedarach contra Staphylococcus aureus e Candida albicans.
  3. Martins, D., & Rodrigues, V. E. G. (2007).
    Plantas medicinais de uso popular: seleção de espécies para estudos farmacológicos e toxicológicos.
  4. Nascimento, C. L., & Moreira, D. L. (2016).
    Uso popular e toxicidade do cinamomo (Melia azedarach L.) no Brasil.
    Revista Saúde e Meio Ambiente, 7(2), 78–84.
  5. Matos, F. J. A. (2007).
    Introdução à fitoquímica experimental. 3ª ed. Fortaleza: UFC Editora.
  6. Carvalho, P. E. R. (2003).
    Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica.
  7. Pereira, A. F., et al. (2014).
    Efeitos tóxicos da ingestão de frutos de Melia azedarach em bovinos.
    Pesquisa Veterinária Brasileira, 34(6), 553–556.
  8. Lorenzi, H. (2002).
    Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum.
  9. Bíblia Sagrada (diversas traduções)
    Análise do termo “cinamomo” no Antigo Testamento (Êxodo 30:23), comparando diferentes versões e contextos botânicos.
  10. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

Criadora do Lar de Hera, um espaço dedicado à conexão com a naturez. Nasceu no interior, cercada de plantas, encontrou na jardinagem uma forma de cura, expressão e reconexão com o que é essencial.É formada em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Piauí, e une seus conhecimentos à paixão por plantas, rituais simples e o poder das ervas. No blog, compartilha dicas práticas, inspirações verdes e saberes ancestrais para transformar o lar num verdadeiro refúgio.🌸

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